sábado , 21 outubro 2017
De animais de estimação a “emotional pets”: entenda porque a “bichoterapia” promove mudanças

De animais de estimação a “emotional pets”: entenda porque a “bichoterapia” promove mudanças

Podemos aprender muito com os animais… sempre! Esta relação de milhares de anos tem papel importante na vida do homem. De animais de estimação a “emotional pets”, a convivência com os bichos tem se comprovado terapêutica, ou seja: promotora de mudanças positivas, a partir da criação do vínculo entre homem/animal.

Diferentemente dos seres humanos, os animais não aprendem atitudes como vergonha ou preconceito, não agindo com embaraço diante do desconhecido. Eles podem auxiliar no desenvolvimento de equilíbrio emocional, especialmente por meio da aceitação, o que traz ao sujeito a sensação de segurança: ao ver o cão “seguir” suas instruções, por exemplo, é treinado o desenvolvimento de autonomia, o que repercute em melhor socialização. O cão de apoio emocional (em inglês ¨Emocional Support Animal¨) é utilizado para fins terapêuticos, ou seja: para tratamento de sofrimentos psicológicos ou psiquiátricos, por meio da presença e apoio que auxiliam na diminuição dos sintomas.

Quando pensamos em terapia com a participação de animais, é importante que se tenha claro que se trata de um processo, no qual a presença e interação promovidas visam atender objetivos claros, definidos durante o tratamento terapêutico. No século passado, na década de 60, a psiquiatra e terapeuta Nise da Silveira foi uma das pioneiras a utilizar cães como coterapeutas no tratamento de seus pacientes. Seus estudos obtiveram reconhecimento mundial ao comprovar o benefício desta convivência. Nise percebeu que os cães tornavam o ambiente hospitalar mais humanizado e estimulavam adesão ao tratamento. A relação de convivência com um cão de assistência promove equilíbrio emocional e estimula o desenvolvimento das potencialidades individuais. A parceria auxilia no reconhecimento da liberdade de ir e vir, no estabelecimento de confiança e responsabilidade com os outros seres vivos, auxiliando, portanto, no sentimento de autovalorização. Embora a TAA (Terapia Assistida por Animais) seja ainda pouco difundida no Brasil, em São Paulo, por exemplo, já contamos com hospitais e organizações que promovem a presença dos animais na rotina dos pacientes. A prática se dá a partir de toda uma logística, que leva em conta não somente critérios de seleção do animal, mas as condições do paciente e local. Instituições de ensino também promovem cursos e estudos sobre os benefícios da TAA.

Em diversas demandas psicoterapêuticas, como ocorre com as crianças com dificuldades de habilidades sociais ou transtornos de desenvolvimento, a presença do animal é um facilitador de calma e atitude no momento da terapia e em outros diversos contextos sociais, como permanecer sentado num avião, por exemplo. Companhias aéreas brasileiras, a exemplo de outros países, já admitem a presença dos “emotional pets”, acompanhando seus tutores, mediante recomendação de profissionais de saúde (psiquiatra ou psicólogo) e atendimento às regras da empresa.

Os animais sempre tem algo a nos ensinar: desde o autocontrole em situações de insegurança até a fidelidade e amor incondicional a quem lhes dá o devido acolhimento e respeito. A presença desses “bichoterapeutas” promove o apoio emocional necessário para a diminuição sentimentos de medo ou insegurança em situações de estresse, além de inúmeros outros benefícios que, a partir da sensibilidade do terapeuta e da abertura do paciente/familiares ao processo, vão sendo descobertos a cada objetivo e experiência vivenciada.

 

Tatiana Berta Otero

*Psicóloga, Terapeuta Comportamental e Cognitiva (USP), Mestre em Saúde Coletiva/Ciências (UNIFESP)

 

Bibliografia:

Fragoso Pereira M J, Pereira L, Lamano Ferreira M, Os benefícios da Terapia Assistida por Animais: uma revisão bibliográfica. Saúde Coletiva 2007462-66.