{"id":2168,"date":"2016-05-25T18:39:40","date_gmt":"2016-05-25T18:39:40","guid":{"rendered":"http:\/\/tatianabertapsicologa.com.br\/home\/?p=2168"},"modified":"2016-05-25T18:41:01","modified_gmt":"2016-05-25T18:41:01","slug":"da-familia-sem-filhos-ao-tamanho-familia-desejo-ou-necessidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tatianabertapsicologa.com.br\/new\/?p=2168","title":{"rendered":"Da fam\u00edlia sem filhos ao \u201ctamanho fam\u00edlia\u201d: desejo ou necessidade?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">A avalia\u00e7\u00e3o do outro, aberta ou oculta, \u00e9 inevit\u00e1vel e torna-se necess\u00e1rio aprender a conviver com ela, sem perder-se dos pr\u00f3prios valores. Tarefa f\u00e1cil? Dif\u00edcil, por\u00e9m necess\u00e1ria. Muitas vezes, a fala comum torna regra, podendo estimular tomadas de decis\u00e3o precipitadas e at\u00e9 mesmo pouco seguras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando n\u00e3o se tem filhos, se ouvem questionamentos. Quando se tem um filho, por vezes, h\u00e1 questionamentos sobre a chegada do irm\u00e3o. E quando se tem mais de um filho, \u00e9 comum ouvirem-se questionamentos sobre as tentativas de se \u201cformar um casal\u201d ou, quando o \u201ccasal\u201d de irm\u00e3os j\u00e1 se formou, se a fam\u00edlia parou por ali. Depois disso, os questionamentos n\u00e3o terminam: h\u00e1 perguntas sobre a din\u00e2mica familiar e da crian\u00e7a: se adormece sozinho ou no colo, se dorme no ber\u00e7o ou na cama dos pais, se usa chupeta, mamadeira, se j\u00e1 come\u00e7ou a falar, caminhar, desfraldou e tantas outras, que variam, de acordo com a imagina\u00e7\u00e3o do \u201cfregu\u00eas\u201d. \u00a0Isso sem contar os aconselhamentos e muitas compara\u00e7\u00f5es inapropriadas com irm\u00e3os ou filhos de pessoas conhecidas, sempre com a inten\u00e7\u00e3o, \u00e9 claro, de ajudar. Independentemente da inten\u00e7\u00e3o de quem est\u00e1 oferecendo ajuda, sem d\u00favida, se nos preocuparmos em atender a todas as expectativas, muitas vezes, podemos acabar nos perdendo, diante das pr\u00f3prias necessidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma das preocupa\u00e7\u00f5es de quem tem um \u00fanico filho, por exemplo, \u00e9 no que a falta de conviv\u00eancia com irm\u00e3os pode acarretar, especialmente no \u00e2mbito das rela\u00e7\u00f5es. Muitas vezes, a preocupa\u00e7\u00e3o com o desenvolvimento das habilidades sociais da crian\u00e7a leva muitos casais a cogitarem o aumento da fam\u00edlia. No entanto, outros fatores precisam ser considerados. Nossa incr\u00edvel capacidade de adapta\u00e7\u00e3o, a que muitos denominam \u201cintelig\u00eancia\u201d, \u00e9 um importante ponto em favor da n\u00e3o antecipa\u00e7\u00e3o de necessidades. A modifica\u00e7\u00e3o cont\u00ednua das condi\u00e7\u00f5es de vida implica numa rela\u00e7\u00e3o de flexibilidade adaptativa constante, muito pr\u00f3pria de cada indiv\u00edduo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alinhar expectativas e possibilidades n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Quando nada \u00e9 igual para todos, torna-se muito dif\u00edcil, por vezes, evitar as compara\u00e7\u00f5es. Desde a idade \u201cideal\u201d em que se deve colocar o filho na escola at\u00e9 a preocupa\u00e7\u00e3o com o curso de gradua\u00e7\u00e3o que escolher\u00e1 mais tarde, o \u201cpadr\u00e3o\u201d socialmente idealizado se faz presente (despercebidamente ou n\u00e3o). Ariano Suassuna, certa ocasi\u00e3o, comentou sobre uma passagem de sua vida: um jantar comemorativo, em que se deparava com a preocupa\u00e7\u00e3o de uma m\u00e3e, que discorria sobre a falta de \u201cconhecimento\u201d do professor de seu filho. Segundo ela, o professor n\u00e3o teria condi\u00e7\u00f5es de dialogar com o filho, pelo fato de n\u00e3o ter viajado para os mesmos lugares. Eis um exemplo do quanto as escolhas que fazemos para nossas crian\u00e7as podem ser influenciadas por nosso julgamento e n\u00e3o, necessariamente, pelas necessidades delas. Segundo Suassuna, o que esta m\u00e3e \u201cpensaria\u201d, caso soubesse que ele pr\u00f3prio nunca fora a um parque tem\u00e1tico no exterior?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para mam\u00e3es, papais e respons\u00e1veis, preocupados com o desenvolvimento de seu pequeno, que ainda n\u00e3o sabe se ter\u00e1 um irm\u00e3ozinho: estudos sugerem que ser filho \u00fanico n\u00e3o est\u00e1 ligado \u00e0s dificuldades de desempenho nas diversas \u00e1reas. Em alguns casos, essas crian\u00e7as apresentaram melhor desempenho escolar. Com rela\u00e7\u00e3o ao desenvolvimento de habilidades sociais, \u00e9 necess\u00e1rio lembrar-se de que a fam\u00edlia nuclear \u00e9 somente a primeira possibilidade para o desenvolvimento destas. Com m\u00e3es e pais no mercado de trabalho, na maior parte das fam\u00edlias, muito cedo, a crian\u00e7a j\u00e1 est\u00e1 em contato com outras pessoas com quem tem a oportunidade de interagir e estabelecer rela\u00e7\u00f5es. J\u00e1 nos primeiros anos escolares, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel observar diferen\u00e7as em habilidades de intera\u00e7\u00e3o entre crian\u00e7as que s\u00e3o filhas \u00fanicas daquelas com irm\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A tentativa de evitar que nossos filhos se frustrem ou que enfrentem problemas \u00e9, por vezes, uma grande barreira para a constru\u00e7\u00e3o de autonomia e seguran\u00e7a, necess\u00e1ria para a vida. A decis\u00e3o pelo n\u00famero de filhos n\u00e3o deveria ser tomada com base no que se pressup\u00f5e ser o ideal para a crian\u00e7a que nasceu primeiro, mas levando-se em conta a din\u00e2mica de cada fam\u00edlia: qual \u00e9 a real motiva\u00e7\u00e3o e a necessidade. Quando uma decis\u00e3o \u00e9 tomada de forma respons\u00e1vel, mais f\u00e1cil se torna lidar com os diferentes desfechos. \u201cJogar tudo para amanh\u00e3\u201d ou justificar-se com base no passado, afinal \u201ctantos conseguiram dar conta\u201d, pode ser uma forma perigosa de negar as reais condi\u00e7\u00f5es do passo que se pretende dar. Ter ou n\u00e3o filhos e o tamanho da fam\u00edlia, \u00e9 um prop\u00f3sito entrela\u00e7ado na constru\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias de vida comuns e que, precisa, portanto, levar em considera\u00e7\u00e3o o fato de que \u00e9 justamente na diversidade, que podemos nos complementar e crescer.<\/p>\n<address>Tatiana Berta Otero (CRP 06\/93349)<\/address>\n<address>Psic\u00f3loga Cl\u00ednica, Especialista em Terapia Comportamental e Cognitiva (USP), Mestranda do Depto. de Medicina Preventiva da Escola Paulista de Medicina &#8211; UNIFESP<\/address>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small;\">Bibliografia consultada:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small;\">TAVARES, Marcelo B. et al. Caracter\u00edsticas de comportamento do filho \u00fanico vs filho primog\u00eanito e n\u00e3o primog\u00eanito.<i>\u00a0<\/i><i>Rev. Bras. Psiquiatr.<\/i>\u00a0[online]. 2004, vol.26, n.1, pp. 17-23. ISSN 1516-4446.\u00a0 http:\/\/dx.doi.org\/10.1590\/S1516-44462004000100007.\u00a0<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A avalia\u00e7\u00e3o do outro, aberta ou oculta, \u00e9 inevit\u00e1vel e torna-se necess\u00e1rio aprender a conviver com ela, sem perder-se dos pr\u00f3prios valores. Tarefa f\u00e1cil? Dif\u00edcil, por\u00e9m necess\u00e1ria. Muitas vezes, a fala comum torna regra, podendo estimular tomadas de decis\u00e3o precipitadas e at\u00e9 mesmo pouco seguras. Quando n\u00e3o se tem filhos, se ouvem questionamentos. 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