{"id":2179,"date":"2016-07-09T19:00:49","date_gmt":"2016-07-09T19:00:49","guid":{"rendered":"http:\/\/tatianabertapsicologa.com.br\/home\/?p=2179"},"modified":"2016-07-09T20:47:35","modified_gmt":"2016-07-09T20:47:35","slug":"vida-de-mae-como-auxiliar-no-puerperio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tatianabertapsicologa.com.br\/new\/?p=2179","title":{"rendered":"Vida de m\u00e3e: como auxiliar no puerp\u00e9rio"},"content":{"rendered":"<h5 style=\"text-align: justify;\">\u201cDurante os nove meses de gesta\u00e7\u00e3o, n\u00e3o somente o beb\u00ea \u00e9 gerado, mas tamb\u00e9m o desejo pela completude: acolher, proteger, nutrir\u2026\u00a0\u00a0Palavras m\u00e1gicas, que representam, na ess\u00eancia, o desejo de ser m\u00e3e. Quando uma mulher engravida, mudan\u00e7as ocorrem n\u00e3o somente no corpo, mas na rotina, na fam\u00edlia e em tudo ao redor.\u00a0Quando nasce o beb\u00ea, nasce uma m\u00e3e, e com ela tamb\u00e9m nascem\u00a0o novo, a curiosidade e o medo de errar. O que parecia t\u00e3o distante durante a gesta\u00e7\u00e3o acontece e, pouco a pouco, dois seres desconhecidos e, ao mesmo tempo, t\u00e3o \u00edntimos, v\u00e3o sendo apresentados a uma realidade de conviv\u00eancia com destino \u00e0 eternidade!\u201d<\/h5>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><em>O\u00a0puerp\u00e9rio\u2026<\/em><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um turbilh\u00e3o de emo\u00e7\u00f5es, acompanhado de mudan\u00e7as hormonais, fazem \u201ccheck-in\u201d nesta mulher que agora precisa, de fato, exercer a\u00a0maternagem. O tamanho da responsabilidade de cuidar de um beb\u00ea pode ser acompanhado por ansiedade e\u00a0autocobran\u00e7a. Independentemente de todo o suporte necess\u00e1rio do ambiente, \u00e9 importante compreender que as altera\u00e7\u00f5es hormonais produzidas em fun\u00e7\u00e3o da gesta\u00e7\u00e3o e do parto geram respostas no organismo da mulher que podem, muitas vezes, ser confundidas\u00a0com transtornos de humor, gerando preocupa\u00e7\u00e3o em familiares ou pessoas pr\u00f3ximas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No per\u00edodo de seis a oito semanas\u00a0ap\u00f3s\u00a0o parto, chamado puerp\u00e9rio, ocorrem grandes modifica\u00e7\u00f5es internas e externas, durante as quais a m\u00e3e continua a precisar de cuidado e\u00a0prote\u00e7\u00e3o.\u00a0Chorar ou irritar-se com facilidade podem ser comuns na fase puerperal, j\u00e1 que al\u00e9m da varia\u00e7\u00e3o hormonal, a fragilidade do rec\u00e9m-nascido exige um estado de alerta constante, que pode mobilizar a produ\u00e7\u00e3o de estresse. Al\u00e9m disso, a amamenta\u00e7\u00e3o nem sempre \u00e9 um processo f\u00e1cil: muitas m\u00e3es sentem-se seguras\u00a0nas primeiras mamadas, mas,\u00a0em seguida, passam a ter dificuldades ao se depararem com o choro do beb\u00ea faminto ou com as dores nos mamilos rachados, somadas ao medo do \u201cfantasma de ter que recorrer \u00e0 mamadeira\u201d, uma vez que a enxurrada de conselhos e palpites de quem tenta ajudar, muitas vezes n\u00e3o d\u00e1 tr\u00e9gua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00c9 poss\u00edvel\u00a0sentir tristeza ap\u00f3s um acontecimento t\u00e3o feliz?<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma preocupa\u00e7\u00e3o dos familiares e conhecidos \u00e9\u00a0o reconhecimento\u00a0da fase, conhecida como\u00a0<em>puerperal blues<\/em>, que pode acontecer logo nos primeiros dias ap\u00f3s o nascimento do beb\u00ea. Esta fase, que se caracteriza por choro f\u00e1cil\u00a0e instabilidade de\u00a0humor\u00a0costuma abrandar, espontaneamente, em um per\u00edodo de aproximadamente duas semanas.\u00a0Os cuidados a serem recebidos incluem o suporte emocional com a m\u00e3e.\u00a0Acolher com carinho e sem questionamentos\u00a0costumam aliviar bastante a ang\u00fastia da mam\u00e3e, que n\u00e3o consegue compreender e, muitas vezes, nem mesmo aceitar vivenciar, de forma genu\u00edna, os pr\u00f3prios sentimentos.\u00a0Sinais e sintomas mais graves, como os dos quadros\u00a0de\u00a0depress\u00e3o, costumam evidenciar\u00a0a\u00a0continua\u00e7\u00e3o de um problema anterior at\u00e9 mesmo \u00e0 gesta\u00e7\u00e3o,\u00a0perdurando por mais tempo\u00a0e n\u00e3o podem ser confundidos com as respostas emocionais\u00a0que ocorrem neste\u00a0per\u00edodo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Como auxiliar\u00a0nas dificuldades?<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Algumas mam\u00e3es preferem exclusividade nos cuidados com o beb\u00ea nos primeiros dias: elas pr\u00f3prias querem atender \u00e0s demandas. Outras, ao contr\u00e1rio, sentem-se mais seguras quando auxiliadas diretamente por algu\u00e9m de sua confian\u00e7a,\u00a0especialmente em momentos como amamenta\u00e7\u00e3o, troca de fraldas e banho. Procure observar se a mam\u00e3e d\u00e1 abertura para o aux\u00edlio direto nos cuidados do beb\u00ea e n\u00e3o se frustre com a negativa. H\u00e1 muitos outros afazeres, como auxiliar no conforto desta m\u00e3e, que tamb\u00e9m precisa ser cuidada, ou com a log\u00edstica da casa e manejo com\u00a0os irm\u00e3os, quando houver. Estas\u00a0s\u00e3o formas preciosas de dar suporte, t\u00e3o importantes quanto ajudar diretamente com o beb\u00ea. Lembre-se de que, quanto mais amparada sentir-se a mam\u00e3e, mais rapidamente adquirir\u00e1 a seguran\u00e7a necess\u00e1ria para ganhar autonomia de gerenciamento da nova rotina que, al\u00e9m de dedica\u00e7\u00e3o e toler\u00e2ncia,\u00a0ser\u00e1 uma\u00a0quest\u00e3o de tempo e adapta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Quando a ajuda profissional \u00e9 necess\u00e1ria?<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 nova rotina varia de fam\u00edlia para fam\u00edlia. Cada m\u00e3e,\u00a0a\u00a0seu tempo, vai adquirindo a confian\u00e7a e\u00a0autonomia necess\u00e1rias \u00e0 mudan\u00e7a. Por\u00e9m, se familiares perceberem um aumento progressivo de sofrimento torna-se necess\u00e1ria\u00a0a\u00a0avalia\u00e7\u00e3o m\u00e9dica, a fim de serem observados e tratados outros poss\u00edveis fatores, garantindo, assim, a seguran\u00e7a e o bem-estar de m\u00e3e e filho.\u00a0Um aux\u00edlio importante\u00a0nesta fase\u00a0pode ser a\u00a0psicoeduca\u00e7\u00e3o\u00a0ou orienta\u00e7\u00e3o terap\u00eautica, realizada pelo psic\u00f3logo. Ser acolhida e orientada pelo profissional, que est\u00e1 fora do contexto familiar, pode auxiliar na aceita\u00e7\u00e3o do momento presente com todas as inseguran\u00e7as, pr\u00f3prias desta fase. Hoje, h\u00e1 at\u00e9 mesmo a possibilidade de\u00a0realiza\u00e7\u00e3o de sess\u00f5es de\u00a0psicoeduca\u00e7\u00e3o\u00a0on-line, a fim de facilitar o conforto desta m\u00e3e e do beb\u00ea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E\u2026\u00a0<em>Para as\u00a0rec\u00e9m-mam\u00e3es:<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Permita-se vivenciar os sentimentos sem julgamento.\u00a0Fa\u00e7a\u00a0escolhas baseadas no seu desejo, que \u00e9 o de receber e proporcionar bem-estar. N\u00e3o se aprisione\u00a0\u00e0\u00a0regras: cada experi\u00eancia \u00e9 individual e permite que cada mulher, a seu modo,\u00a0v\u00e1 selecionando a melhor forma de agir.\u00a0Procure respeitar seus limites, permitindo-se dizer \u201cn\u00e3o\u201d, quando necess\u00e1rio.\u00a0N\u00e3o se envergonhe de pedir ajuda: lembre-se de\u00a0que\u00a0m\u00e3es s\u00e3o seres com as mesmas necessidades de cuidado, sujeitas \u00e0 cansa\u00e7o, dores, medos e fragilidades. Se a realidade estiver diferente da expectativa, procure aceitar com carinho e generosidade que a perfei\u00e7\u00e3o \u00e9 somente um desejo e que o bom da vida \u00e9 cada minuto em que se pode desfrutar do dom de amar!<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Tatiana Berta Otero<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>\u00a0<\/em><em>Psic\u00f3loga Cl\u00ednica (CRP\u00a0<a href=\"tel:06\/93349\">06\/93349<\/a>), Terapeuta Cognitivo Comportamental (USP), Mestranda do\u00a0Depto.\u00a0de Medicina Preventiva da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (UNIFESP) \u2013\u00a0<a href=\"http:\/\/www.tatianabertapsicologa.com.br\/\">www.tatianabertapsicologa.com.br<\/a><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>*Texto originalmente escrito para o Blog Afeto de M\u00e3e:<\/p>\n<p>http:\/\/afetodemae.com.br\/pos-parto-recuperacao-e-reorganizacao\/<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bibliografia de apoio:<\/em><\/p>\n<p><em>Andrade RD, Santos JS\u00a0et\u00a0al. Fatores relacionados \u00e0 sa\u00fade da mulher no puerp\u00e9rio e repercuss\u00f5es na vida da crian\u00e7a.\u00a0Esc\u00a0Anna Nery 2015; 19(1): 181-186<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cDurante os nove meses de gesta\u00e7\u00e3o, n\u00e3o somente o beb\u00ea \u00e9 gerado, mas tamb\u00e9m o desejo pela completude: acolher, proteger, nutrir\u2026\u00a0\u00a0Palavras m\u00e1gicas, que representam, na ess\u00eancia, o desejo de ser m\u00e3e. 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