{"id":2302,"date":"2017-10-31T21:14:25","date_gmt":"2017-10-31T21:14:25","guid":{"rendered":"http:\/\/tatianabertapsicologa.com.br\/home\/?p=2302"},"modified":"2017-11-01T09:04:36","modified_gmt":"2017-11-01T09:04:36","slug":"relacionamentos-abusivos-como-ocorrem-e-o-que-os-mantem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tatianabertapsicologa.com.br\/new\/?p=2302","title":{"rendered":"Relacionamentos abusivos: como ocorrem e o que os mant\u00e9m?"},"content":{"rendered":"<p>Toda forma de relacionamento que implica em imposi\u00e7\u00e3o direta ou indireta de sofrimento a um dos parceiros pode ser considerada abusiva. Os v\u00e1rios tipos de viol\u00eancia s\u00e3o sempre um risco para perturba\u00e7\u00f5es f\u00edsicas ou emocionais, impactando negativamente na qualidade de vida.<\/p>\n<p>Um namoro abusivo pode ser porta de entrada para uma uni\u00e3o duradoura baseada na viola\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o individual e do respeito dos quais somos dignos. Atitudes aprendidas no conv\u00edvio social (modelos ou experi\u00eancia direta) s\u00e3o reproduzidas de forma permissiva ou agressiva nas rela\u00e7\u00f5es. Sempre \u00e9 importante lembrar que para aprendermos algo, n\u00e3o precisamos necessariamente ter passado pela experi\u00eancia. A conviv\u00eancia com pessoas que exercem qualquer tipo de controle abusivo j\u00e1 favorece a aprendizagem de atitudes semelhantes. Quando somos expostos constantemente \u00e0 puni\u00e7\u00e3o, podemos aprender que esta \u00e9 a \u00fanica forma de resolu\u00e7\u00e3o de problemas, reproduzindo tais atitudes nas rela\u00e7\u00f5es. Refer\u00eancias ou modelos de intera\u00e7\u00e3o presentes em cada hist\u00f3ria de vida facilitam a constru\u00e7\u00e3o das bases para nosso funcionamento e das expectativas a respeito do que esperamos receber dos demais.<\/p>\n<p>Mais do que a viol\u00eancia f\u00edsica, a psicol\u00f3gica \u00e9 a que mais deixa marcas na v\u00edtima, especialmente pela frequ\u00eancia e intensidade maiores no cotidiano da rela\u00e7\u00e3o. O aprendizado da viol\u00eancia psicol\u00f3gica ocorre em ambientes de cr\u00edticas constantes, humilha\u00e7\u00f5es e desprezo &#8211; seja por meio de atitudes ou de palavras, por exemplo: amea\u00e7as, desvaloriza\u00e7\u00e3o ou destrui\u00e7\u00e3o etc. Agindo desta forma, muitas vezes o agressor procura ter controle sobre a v\u00edtima, muitas vezes buscando aliviar-se dos pr\u00f3prios sentimentos de inseguran\u00e7a. Esta din\u00e2mica \u00e9 muito vista em relacionamentos permeados por ci\u00fame excessivo, por exemplo. Estudos sobre viol\u00eancia nas rela\u00e7\u00f5es \u00edntimas consideram o abuso dentro de um processo como c\u00edclico, cuja evolu\u00e7\u00e3o se d\u00e1 em tr\u00eas fases:<\/p>\n<p>1)\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Intimida\u00e7\u00e3o<\/strong>: Com a finalidade de favorecer o controle sobre a v\u00edtima, o agressor procura tornar o ambiente tenso. Isso pode se dar por meio de provoca\u00e7\u00f5es que se transformar\u00e3o em discuss\u00e3o, na qual, a v\u00edtima procura argumentos para justificar-se ou defender-se. A depender do perfil, esta fase pode evoluir mais rapidamente, se associada ao uso de bebidas ou drogas.<\/p>\n<p>2)\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<strong> Ataque:<\/strong> Nesta fase, o agressor recorre \u00e0 viol\u00eancia (agress\u00f5es f\u00edsicas, psicol\u00f3gicas ou sexuais), com aumento em frequ\u00eancia e intensidade, podendo at\u00e9 ocorrer risco \u00e0 vida da v\u00edtima.<\/p>\n<p>3)\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Reconcilia\u00e7\u00e3o<\/strong>: Nesta fase, h\u00e1 altera\u00e7\u00e3o do comportamento do agressor, que se torna mais afetuoso, carinhoso ou atento. Geralmente, a inten\u00e7\u00e3o \u00e9 obter o perd\u00e3o da v\u00edtima e retomar a seguran\u00e7a. Pode ocorrer a promessa de mudan\u00e7a e o pedido de desculpas, a fim de n\u00e3o correr de ser abandonado.<\/p>\n<p>A descri\u00e7\u00e3o deste dif\u00edcil processo nos auxilia a compreender porque, mesmo sem justificativa aparente, v\u00edtimas se sentem culpadas pela viol\u00eancia cometida por seus parceiros e encontram enorme dificuldade em sair da rela\u00e7\u00e3o, mesmo sofrendo danos severos \u00e0 sa\u00fade e qualidade de vida. A falta de confian\u00e7a nos pr\u00f3prios valores \u00e9 acompanhada por atitudes de conformismo e de supervaloriza\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a do outro, refor\u00e7ando o ciclo da depend\u00eancia emocional.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil perceber quando a pr\u00f3pria rela\u00e7\u00e3o se encontra nesta din\u00e2mica, por isso \u00e9 fundamental, diante do sofrimento, conversar com outras pessoas. A barreira da vergonha precisa ser vencida e o pedido por ajuda feito, o mais breve poss\u00edvel! Muitas vezes \u00e9 dif\u00edcil compartilhar os sentimentos com amigos ou familiares, uma vez que, a depender das caracter\u00edsticas individuais, cada conselho recebido se torna mais uma autocobran\u00e7a e, por consequ\u00eancia, outro sofrimento. A ajuda psicol\u00f3gica \u00e9, portanto, fundamental no reconhecimento das situa\u00e7\u00f5es e na busca do desenvolvimento de um repert\u00f3rio de atitudes que favorecer\u00e3o a constru\u00e7\u00e3o de autonomia e a autovaloriza\u00e7\u00e3o, que permitir\u00e3o escolhas conscientes e coerentes com a necessidade de cada um.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u00a0<em><strong>Tatiana Berta Otero\u00a0<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">(Psic\u00f3loga Cl\u00ednica &#8211; CRP 0\/93349, Especialista em Terapia Comportamental e Cognitiva, Mestre em Sa\u00fade Coletiva)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Toda forma de relacionamento que implica em imposi\u00e7\u00e3o direta ou indireta de sofrimento a um dos parceiros pode ser considerada abusiva. 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