sábado , 18 novembro 2017
Por que pode ser tão difícil relaxar?

Por que pode ser tão difícil relaxar?

É feriado? Aproveite… para relaxar!

Quando falamos em feriados prolongados como os de Carnaval, muitos pensam logo em festa, música, barulho e, até mesmo, somente na farra! No entanto, para outros, que não “curtem” tal combinação,  nem sempre é fácil  ficar à toa, apenas aproveitando o momento…

Isto normalmente ocorre porque as exigências do cotidiano, para que se possa desfrutar de uma vida mais confortável são altas: podem custar horas e horas de trabalho intenso e a renúncia de situações que causam bem estar, como o simples ato de dormir ou se permitir deitar para descansar…  E como cada um recebe pelo que produz, as pessoas vão aprendendo que é correto lançar mão do que se deseja, em função do trabalho.

Quanto mais “cheios de regras” nos tornamos, maior a dificuldade de nos permitirmos “ficar à toa”. Ditos populares como o de que “o trabalho exalta o homem”, podem estar associados a pensamentos automáticos como os de que não se pode parar nunca, sob pena de se perder algo de valor. Assim, até o simples fato de divertir-se pode desencadear culpa e mal-estar para alguns.

Desta forma, quem não quer fazer parte da “festa”, deveria manter seu relógio interno programado para despertar e, ainda que não seja o “dia de expediente”, continuar trabalhando em casa ou em qualquer outro lugar, certo? Claro que não, prefiro tomar permissão, “adaptando” o dito popular: “quando a cabeça não descansa, o corpo padece”. Para o reequilíbrio físico e emocional, é fundamental o descanso mental que férias, feriados ou finais de semana podem promover (desde que validemos essa possibilidade).

Divertir-se, como qualquer outra atividade que se escolha realizar, passa por um esquema interno de aprendizados, construído ao longo da vida. Pessoas muito cobradas ou que viveram em lares de muita tensão e com poucos modelos de carinho, incentivo e acolhimento, podem ter dificuldade para colocarem as próprias necessidades como prioridade, o que implicaria em colocar-se no mundo de forma assertiva, dizendo “não” para o que não favorece a construção da autonomia.

O importante é começar a auto-observação dos comportamentos de rigidez e, na medida do possível, avançar com atitudes diferentes daquelas que se tornaram “padrão”, mas que não funcionam. Não é necessário esperar o feriado para descansar a mente das autocobranças, é possível fazer isso a cada dia, um pouquinho, se permitindo pequenos prazeres como parar e ouvir música por cinco minutos ou ir para a cama meia hora mais cedo, apenas para ficar deitado, relaxando… Desta forma, vamos treinando novas possibilidades de agir e realizando o aprendizado de novos comportamentos. Ficar sem fazer nada é também uma necessidade para uma vida mais saudável!  Não conseguir relaxar, ainda que haja oportunidade para isso, pode ser um sintoma de estresse ou ansiedade, que pode requerer atenção e mesmo auxílio profissional.

Na próxima folga:  seja feriado, final de semana ou mesmo um dia escalado para isso, tire uma horinha do seu tempo para realmente deixar o relógio de lado, durma um pouco mais, alimente-se melhor, esteja com pessoas com quem tem vontade de estar… Sem culpa, porque sua saúde exige! Faça coisas que oportunizem prazer, sem ter que necessariamente sair acompanhando o trio-elétrico ou sambando no salão, se essa não for sua vontade. O que importa é dar um descanso para si próprio! E, depois, volte renovado para o trabalho e aproveite para observar as pequenas mudanças que começarão a acontecer, afinal quem está bem consigo, está bem com o mundo!

Tatiana Berta

Psicóloga e Psicoterapeuta Comportamental e Cognitiva

CRP (06/93349)

Fone: (11) 98254.6237